terça-feira, 31 de maio de 2011

Sede

Ajustei os quadros da sala de estar,
Mas nunca estive por lá.
Na noite da dança solidão:
Separei umas mudas de roupa,
Umas mudas de mudas...
Forjei um sorriso.
Você provavelmente se encontrou,
Seu menino, se perdeu.
Tropeçei na vontade de te ver se adentrar,
ainda que depois o efeito corrosivo atingice meus tecidos,
que vivos fossem.
Vivo por cultivar a partida.
Mais um membro honorário da minha sede.


(carla wachholz)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sem pontos

Sem motivos pra desfarçar toda essa sujeira
Vou plastificar minha memória
Costurar com cem pontos
Nessa desordem que nos rodeia
Sem pressa pra chegar no fim
Desmentir a causa boba que te transforma
A necessidade que te incomoda
O perigo fala mais alto
Vontade de ser perigo
Onde camuflam de branco
O vermelho da minha boca
O vermelho das minhas unhas
O vermelho do meu sangue

Carla Wachholz

sábado, 14 de maio de 2011

Diz prender

As vindas tem sido pior que as idas.
Em nenhuma idade se aceita despedidas.
Nunca mudei o relógio,
E ele esteve sempre certo.
Gosto de você por perto,
mas te amo quando longe.
Um amor pra se prender, ou mais:
vários pra se perder...
No entanto que seja amor.

carla wachholz

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ponderar

São sorrisos, só risos e só rindo estou. Apesar dos outros chorarem por aí. Paralela àquela, farei a curva e seguirei outra linha, essa já não está dando pé. É fundo e vazio, o eco responde. Ratueiras distribuidas pelo chão, analise ao caminhar. Assim o medo reclama: Ordinária geração de genios ocultos incapazes de ponderar. Coração exposto e o orgulho de ser amor onde o caos te passa rasteira.

(carla wachholz)