segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A vantagem das rimas

E no momento de euforia, eu ria.
E você não sabia o que dentro de mim havia.
Só que no momento da raiva,
a gente só pensa no depois, um pouquinho de alegria.
Nada mais me comovia e você não se permitia.
E no que eu seria amor, dito e certo, eu ia.

(Carla Wachholz)

domingo, 30 de outubro de 2011

Vazio de lágrimas

De forma alguma morta.

A tempestade que ocorreu transbordou no formato de lágrimas;

A correnteza levou mágoas, angustia e tristeza,

não fez sol, nada secou, nem se quer clareou.

Mas sou terra no que se afoga.

(Carla Wachholz)

domingo, 3 de julho de 2011

Enquanto o mundo sorri

O primeiro ato é a palavra
Logo em seguida vem o gesto
O que te da espaço é o cuidado
E nada finaliza em amor eterno
Pra que nada passe em branco
Lembrarei de você chorando
Enquanto o mundo, só, ri.

(carla wachholz)

Dias antes de se matar

Preferiu estar no cargo de amante
Não pensou no anel diamante
Diante a uma oferta de amor
Noite poesias

(carla wachholz)

domingo, 19 de junho de 2011

 

mastigando hipocrisia
desses frutos que plantam para não colher
desembaraço vários danos em caixos
cansada de ver, querendo enxergar

{carla wachholz}

terça-feira, 14 de junho de 2011

Passamos a vida, ouvindo sem escutar
O que te inspira
não é o ar que precisa respirar
O poder de estar em pé, não é o mesmo pra manter-se em pé,
em pedaços

{Carla Wachholz}

Conferência de Absurdos

Tirando os espinhos da roseira,
mas a essência continua a mesma.
Assim mantendo a essência,
até virar perfume.

{carla wachholz}

terça-feira, 7 de junho de 2011

Conselho da Madrugada

Supondo que a maioria dos casos virem casais
Tentando felicidade embaixo do teto da mesma casa
Alegria não se tenta, exala
Sinta cheiro de alegria na sala
Solução para soluço de melancolia: água
Não se esqueça que o pior tempero é a raiva
Feijão de Maria pra João virou Xuxu com Batata

(Carla Wachholz)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sede

Ajustei os quadros da sala de estar,
Mas nunca estive por lá.
Na noite da dança solidão:
Separei umas mudas de roupa,
Umas mudas de mudas...
Forjei um sorriso.
Você provavelmente se encontrou,
Seu menino, se perdeu.
Tropeçei na vontade de te ver se adentrar,
ainda que depois o efeito corrosivo atingice meus tecidos,
que vivos fossem.
Vivo por cultivar a partida.
Mais um membro honorário da minha sede.


(carla wachholz)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sem pontos

Sem motivos pra desfarçar toda essa sujeira
Vou plastificar minha memória
Costurar com cem pontos
Nessa desordem que nos rodeia
Sem pressa pra chegar no fim
Desmentir a causa boba que te transforma
A necessidade que te incomoda
O perigo fala mais alto
Vontade de ser perigo
Onde camuflam de branco
O vermelho da minha boca
O vermelho das minhas unhas
O vermelho do meu sangue

Carla Wachholz

sábado, 14 de maio de 2011

Diz prender

As vindas tem sido pior que as idas.
Em nenhuma idade se aceita despedidas.
Nunca mudei o relógio,
E ele esteve sempre certo.
Gosto de você por perto,
mas te amo quando longe.
Um amor pra se prender, ou mais:
vários pra se perder...
No entanto que seja amor.

carla wachholz

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ponderar

São sorrisos, só risos e só rindo estou. Apesar dos outros chorarem por aí. Paralela àquela, farei a curva e seguirei outra linha, essa já não está dando pé. É fundo e vazio, o eco responde. Ratueiras distribuidas pelo chão, analise ao caminhar. Assim o medo reclama: Ordinária geração de genios ocultos incapazes de ponderar. Coração exposto e o orgulho de ser amor onde o caos te passa rasteira.

(carla wachholz)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nota de Outono

Insatisfação pessoal:
Leviandade que alastram terríveis fenômenos de desequilíbrio;
Encefalite letárgica avisinha-se da loucura com estádias
por distúrbios, vários provocados pela disfunção celular.

O poder de perder:
Despedindo energias fatais, assuntos deploráveis dessa juventude,
subtraio o acumulo agregado.

Ave ferida cansou de voar.

A doença:
Seu olho dilata,
O meu chora,
Seu coração infarta,
o meu chora,
a pulsação para...
Ela estava tão cansada.

(c.wachholz)

Anatomia Sentimental



Sobrevoei em seu corpo, pousei.

Seu sexo pulsando disparadamente.

Pousei com meu coração no seu sexo;

Pousei com meu coração no seu coração.

(c. wachholz)

domingo, 24 de abril de 2011

Ponto Final

Te disse para caminhar e segurei sua mão
Sugeri pegar um coletivo solitário e ir até o final da linha
Qualquer linha é pausa para uma reflexão
Naquela viagem fomos à Lua
Deitada em seu colo, meu porto
Momento, momentos, movimentos, um ponto.

(c.wachholz)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Monobloco

Ades à beleza, juventude esclarecida.
Estou a pincelar tremula o padrão regular,
que preenche em vista curta o estereotipo da sociedade.
Despenteio qualquer forma de pensamento popular;
Puxo a cortina da vida pra aplaudir o que for verdade.
Já não temos muito o que inventar.


(c.wachholz)

domingo, 27 de março de 2011

Fuga

A velha valvula de escape pra disvincular-se dos generos
Um encontro em várias órbitas não é mais suficiente

Tirei alguns retratos
Observei alguns abraços
Me disseram que era fácil brincar de amor

Me vesti com alguns trapos
Beijei alguns lábios
No rumo dos meus atos: a dor

c. wachholz